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cena de um filme que nada acontece
Postado por
Rodrigo da Silva
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29 de ago. de 2009

o tempo não é apenas uma palavra na letra T do dicionário
Postado por
Rodrigo da Silva
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27 de ago. de 2009

o texto abaixo foi escrito há exatos cinco anos. nessa foto eu ainda era um menino com um olhar perdido que sonhava com algumas coisas que, por alguma razão, ainda não encontrei. ela foi tirada em florianópolis. naquele tempo o meu irmão ainda morava por lá, numa kitnet e era o meu herói (ele nunca deixou de ser o meu herói). a gente passou essa tarde comendo pão de queijo no centro da cidade, falando sobre a vida. eu tinha dezessete anos e sonhava em ser como ele.
21/08/04
às vezes - quase sempre - eu fico pensando em como será o meu FUTURO. quando eu era um moleque magrelo, de pernas tortas, camiseta rasgada do fluminense, jogando futebol no campinho de barro (nunca de fato teve um `campinho de barro` mas, ah!, como é bom ser moleque...), eu brincava de imaginar nesse futuro, que o tempo acabou transformando em presente, e todas as minhas sensações se uniam a sentimentos irresponsáveis de amor e liberdade. hoje, no ápice da juventude, com os hormônios fervendo, os neurônios explodindo, os pêlos crescendo em meu corpo, a voz engrossando os tubos de minha garganta, e com a memória enrugando minha infância, descobri que o Tempo não é apenas uma palavra no capítulo "T" do dicionário, e continuo sonhando com o inabalável.
poder morar em floripa. estudar. trabalhar. me casar na igreja nossa senhora do desterro. carregar minha mulher no colo às pressas pro carro, dirigir não-sei-como pro hospital mais perto, e erguer o meu primeiro filho - já pensando no segundo. fazer cinema. teatro. televisão. escrever um livro. jogar voley no portão de casa. ter um cachorro chamado spike. ir pra praia. levar a família pro shopping sábado à tarde. pegar a fila do cinema. levar as crianças na vovó. sair com a mulher e os amigos sábado à noite pra comer pizza. fazer compras no supermercado domingo de manhã. churrasco no almoço. futebol de tarde. ir na igreja de noite. acordar. correr pra cozinha. apanhar um cacho de uva. nescau com chantilli. iogurte com geléia de morango. carregar o café da manhã pro quarto. abrir as janelas. sussurrar `bom dia` pra minha mulher. levar as crianças pra escola. trabalhar. passar na padaria com o som do carro ligado, minha mulher lendo uma revista e as crianças brincando no banco de trás (isso é lindo). viajar nas férias. conhecer nova york. dar um abraço no papa. tocar violão. fazer serenatas. natal. reunir a família. me vestir de papai noel. ho ho ho. comprar aquele carro novo que saiu no jornal. viajar mais um pouco. ver o brasil ser octa-campeão mundial. a chegada do homem em marte. mais umas duas estrelas cadentes. envelhecer. ver os filhos criados. beijar serenamente a mulher da minha vida. e morrer.
palmeira, palmeira, palmeira
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Rodrigo da Silva
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19 de ago. de 2009

Com medo de uma mulher! Ah, grande escritor este aqui! Como pode escrever sobre mulheres se nunca teve uma mulher? Ora, seu miserável farsante, seu mentiroso, não admira que não consiga escrever! Não admira que não houvesse uma mulher em O cachorrinho riu. Não admira que não fosse uma história de amor, seu tolo, seu escolar boboca.
Os dias magros de determinação. Aquela era a palavra certa: determinação: Arturo Bandini diante de sua máquina de escrever dois dias inteiros seguidos, determinado a vencer; mas não funcionou, o mais longo esforço de determinação inflexível em sua vida, e nem uma linha produzida, apenas uma palavra escrita repetidamente por toda a página, de alto a baixo, a mesma palavra: palmeira, palmeira, palmeira, uma batalha mortal entre mim e a palmeira, e a palmeira ganhou: eu a vi lá fora oscilando no ar azul, rangendo suavemente no ar azul. A palmeira ganhou depois de dois dias de luta e eu me arrastei janela afora e sentei-me ao pé da árvore. O tempo passou, um momento ou dois, e eu dormi, pequenas formigas marrons fazendo farra nos pêlos das minhas pernas.
- john fante, do livro 'pergunte ao pó'
- john fante, do livro 'pergunte ao pó'
entre a cruz e a espada
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Rodrigo da Silva
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17 de ago. de 2009

como me tornei estúpido
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Rodrigo da Silva
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15 de ago. de 2009

- bom dia! - disse à moça à sua frente.
- o senhor deseja o quê?
- o senhor deseja o quê?
antoine ficou encantado com esta economia relacional: já não era necessário pronunciar uma fórmula de cortesia mecânica. ele, portanto, se absteria dela. era mais franco, era, afinal, mais honesto. ele olhou os cardápios.
- um best of mcdeluxe - decifrou ele no cartaz luminoso estimulado pela promessa de comer por trinta e dois francos um alimento que continha a palavra luxe na sua denominação.
- bebida?- sim, certamente. perfeito.
- que bebida o senhor quer? - perguntou a moça, excedendo-se um pouco.
- coca-cola, sim, experimentemos coca-cola.
para obedecer aos usos e costumes desta nova realidade, ele teve o reflexo de se abster de todo e qualquer agradecimento. instalou-se a uma mesa bege e começou a comer as batatas fritas enquanto bebia o seu um terço de litro de líquido marrom e borbulhante. com olhar curioso, observou uma batata frita, mergulhou-a numa mistura de ketchup, mostarda e maionese, e mordeu-a. poucos dias antes, antoine não se teria podido impedir de pensar, ao simplesmente comer uma batata frita, na história sangrenta da batata, nos sacrifícios humanos que a civilização asteca fizera em seu nome. que esse simples tubérculo carregasse tantas mortes na sua consciência o teria sem dúvida impedido de apreciá-lo completamente. inábil, cravou os dentes no sanduíche; uma parte dos molhos viscosos caiu no prato. ele teve de reconhecer que gostava disso. não estava seguro de que era bom para a saúde, as embalagens não deviam ser biodegradáveis, mas era simples, pouco caro, muito calórico e de sabor tranquilizante. o gosto lhe dava a impressão de encontrar uma família sem fronteiras, de reunir-se aos milhões de pessoas mastigando no mesmo instante um sanduíche idêntico. como em uma coreografia internacional, ele executava os mesmos passos e gestos de pagar, de transportar o prato, de beber a coca e de ingerir as batatas fritas e o sanduíche que outros bailarinos-consumidores em templos exatamente semelhantes. ele sentiu certo prazer, uma confiança, uma força nova em ser como os outros, com os outros.
- martin page, do livro 'como me tornei estúpido'
10 filmes para FUGIR antes de MORRER!
Postado por
Rodrigo da Silva
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13 de ago. de 2009

todos os filmes listados abaixo, por alguns motivos, me causaram efeitos colaterais. alguns não resisti (confesso) e, ou saí da sessão do cinema, ou tirei o DVD do aparelho respirando aliviado. muitos deles são de bons diretores, com bons atores e produções milionárias. alguns deles até renderam lucro pros estúdios. filmes que concorreram ao oscar. filmes que ganharam o oscar. filmes que não concorreram nem ganharam nada.
eu gostaria também de aproveitar esse espaço para registrar o meu repúdio a nicolas cage, meg ryan, peter jackson, elijah wood, bruce willis, george lucas, hilary swank e al pacino.
A Dama na Água (lady in the water, 2006. dirigido por m. night shyamalan. com paul giamatti, bryce dallas howard)
m night shyamalan fez uma trilogia especial com 'o sexto sentido', 'corpo fechado' e 'sinais', que demonstram o seu talento e a sua capacidade de contar boas histórias. mas depois disso só entrou em barcos furados como 'fim dos tempos', 'a vila', e esse horroroso 'a dama na água'. o filme, que conta a história de uma "narf" que sai da piscina de um prédio, é tendencioso e sem pé nem cabeça. em nenhum instante shyamalan nos faz acreditar que aquilo tudo possa ser verdade. e isso é a pior coisa que pode acontecer num filme. IMDB - 5.9 - trailler
Água Negra (dark water, 2005. dirigido por walter salles. com jennifer connelly, john c. reilly, tim roth)
walter salles é um dos melhores diretores da nova safra do cinema nacional. 'central do brasil' está presente na minha lista dos 10 filmes para ver antes de morrer. 'diários de motocicleta' é um filme muito bacana também. e ele, que começou garimpando no cinema nacional, conseguiu filmar em outros países na américa latina, só foi ter uma chance de entrar em hollywood pra sabotar a sua própria carreira, com um roteiro sem graça de um filme de terror aonde o principal inimigo é uma POÇA DE ÁGUA! lixo! IMDB - 5.6 - trailler
Matrix Revolutions (matrix revolutions, 2003. dirigido por wachowski brothers. com keanu reeves, laurence fishburne)
os irmãos wachowski realmente revolucionaram a história do cinema com a criação de matrix. neo é praticamente um personagem literário. a história e a concepção da idéia são brilhantes, os efeitos especiais são revolucionários, e o filme tem cenas antológicas. a continuação, matrix reloaded, segue a mesma linha. e então, matrix revolutions surge como que para destuir aquela que seria uma das trilogias mais interessantes do cinema desse século. sem acrescentar nada de novo, quase que querendo se livrar daquela história. IMDB - 6.5 - trailler
Dogville (dogville, 2003. dirigido por lars von trier. com nicole kidman, harriet andersson)
o dinamarquês lars von trier se julga o melhor diretor do mundo. filmes como "dançando no escuro" (presente na minha lista dos 10 filmes para ver antes de morrer) e "os idiotas" comprovam parte dessa idéia. lars é um diretor criativo e seus filmes transmitem um lirismo puro. e dogville, que está naquela sessão da locadora 'ame-o ou deixe-o', é terrivelmente chato, pretencioso e superestimado. não é de se espantar que a própria nicole kidman tenha saído no meio da sessão de sua estréia oficial por se sentir encomodada com o filme. IMDB - 7.9 - trailler
A Ilha do Dr Moreau (the island of dr. moreau, 1996. dirigido por john frankeinheimer. com marlon brando, val kilmer)
é uma pena que um dos maiores atores da história do cinema precisasse fazer algumas bombas no final de carreira pra poder pagar suas contas. marlon brando, que ganhou o framboesa de ouro (oscar dos piores filmes do ano, por esse filme), gravava suas cenas com um rádio do lado que dizia as suas falas. um dos atores do filme (david thewlis) fez uma promessa de que nunca assistiria à versão final do filme, já que as filmagens foram terríveis. quem sou eu pra contestar tanta publicidade? IMDB - 4.0 - trailler
AI Inteligência Artificial (artificial inteligence: a.i., 2001. dirigido por steven spielberg. com haley joel osment, jude law, hilliam hurt, ben kingsley, robin willians, chris rock e grande elenco)
steven spielberg é steven spielberg. seus filmes tem uma marca própria e lotam cinemas pelo mundo inteiro. mas nunca me conquistaram, e eu vejo o spielberg como um robert zemeckis melhorado. ainda acho 'et - o extraterrestre' o grande filme de sua vida. e acho que ele fez alguns filmes muito ruins em sua carreira, como 'minority report', 'terminal', e 'ai inteligencia artificial'. esse último um filme extremamente entediante, chato, com um final bobo e sem graça. IMDB - 6.9 - trailler
Sobre Meninos e Lobos (mystic river, 2003. dirigido por clint eastwood. com sean penn, tim robbins, kevin bacon, laurence fishburne, marcia hay darden e grande elenco)
às vezes eu penso que o clint eastwood não faz mais nada da vida a não ser um filme atrás do outro. e acho que nem ele sabe quantos filmes já fez na carreira. mais que o zé do caixão, aposto. 'sobre meninos e lobos' é um desses pseudo clássicos (adaptados de um livro famoso) que você entra na sessão de cinema e sai da sessão de cinema e não acontecesse absolutamente NADA. e então o filme é indicado a um monte de oscars, e gente como a marcia gay harden, que fica alguns minutos em cena consegue uma indicação como melhor atriz coadjuvante. pacabá! IMDB - 8.0 - trailler
Chicago (chicago, 2002. dirigido por rob marshall. com renée zellweger, catherine zeta-jones, richard gere, queen latifah, lucy liu e grande elenco)
pense num musical com renée zellweger, catherine zeta-jones, richard gere, queen latifah, lucy liu, e mais um monte de gente mala, e ainda dirigido por rob marshall. pense bem. e agora imagine que esse filme tenha ganho o oscar de melhor filme (além de outras cinco categorias). é! realmente o nível daquela cerimônia do oscar não estava das melhores! quase todos os filmes da minha lista de ontem não ganharam o oscar de melhor filme. chicago ganhou. e quem realmente se importa com isso? IMDB - 7.3 - trailler
Platoon (platoon, 1986. dirigido por oliver stone. com tom berenger, willem dafoe, charlie sheen, forest whitaker, johnny depp, e grande elenco)
eu nunca consegui entender por que platoon se tornou num clássico. na verdade, eu nunca me interessei muito por filmes de guerra. sempre achei as histórias previsíveis e confusas ao mesmo tempo. com aqueles jargões todos de táticas de guerra, usados pelos coronéis, e bala pra tudo o quanto é canto,e gente morrendo a torto e a direito. enfim. mas esse filme do oliver stone consegue superar todos da categoria. ele é simplesmente entediante. e eu ficava o tempo todo com aquela sensação de que, não importasse quem se desse bem no final - o vilão ou o mocinho - o importante era chegar ao final! IMDB - 8.2 - trailler
Plan 9 From Outer Space (plan 9 from outer space, 1958. dirigido por ed wood. com gregory walcott, mona mcKinnon)
e por fim, gostaria de fazer uma homenagem aquele que é tido como o pior filme de todos os tempos. o oconcour da categoria. plan 9 from outer space, o pior filme do pior diretor da história de hollywood é um trash macabro que, curiosamente, atinge o seu objetivo de entretenimento. apesar dos erros de roteiro, de continuação, de gravação, de atuação, e todos os outros possíveis, vi ao longo da minha vida filmes muito mais pretenciosos e superestimados que essa pequena obra prima de ed wood, que se tornaram fracassos ainda maiores (ao meu ponto de vista, pelo menos). IMDB - 3.6 - trailler
A Dama na Água (lady in the water, 2006. dirigido por m. night shyamalan. com paul giamatti, bryce dallas howard)

Água Negra (dark water, 2005. dirigido por walter salles. com jennifer connelly, john c. reilly, tim roth)

Matrix Revolutions (matrix revolutions, 2003. dirigido por wachowski brothers. com keanu reeves, laurence fishburne)

Dogville (dogville, 2003. dirigido por lars von trier. com nicole kidman, harriet andersson)

A Ilha do Dr Moreau (the island of dr. moreau, 1996. dirigido por john frankeinheimer. com marlon brando, val kilmer)

AI Inteligência Artificial (artificial inteligence: a.i., 2001. dirigido por steven spielberg. com haley joel osment, jude law, hilliam hurt, ben kingsley, robin willians, chris rock e grande elenco)

Sobre Meninos e Lobos (mystic river, 2003. dirigido por clint eastwood. com sean penn, tim robbins, kevin bacon, laurence fishburne, marcia hay darden e grande elenco)

Chicago (chicago, 2002. dirigido por rob marshall. com renée zellweger, catherine zeta-jones, richard gere, queen latifah, lucy liu e grande elenco)

Platoon (platoon, 1986. dirigido por oliver stone. com tom berenger, willem dafoe, charlie sheen, forest whitaker, johnny depp, e grande elenco)

Plan 9 From Outer Space (plan 9 from outer space, 1958. dirigido por ed wood. com gregory walcott, mona mcKinnon)

10 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER
Postado por
Rodrigo da Silva
|
11 de ago. de 2009
não vou cometer a heresia de dizer que são os dez melhores filmes de todos os tempos. muito provavelmente assim que terminar de publicar esse post, outros dez filmes irão surgir na minha memória. essa é uma lista pessoal. de filmes especiais que tiveram importância em determinados momentos da minha vida. os filmes estão em ordem alfabética. a maioria deles vi mais de uma vez. muitos eu assistiria novamente. outros não. de qualquer maneira, se você ainda não viu algum deles, procure na locadora mais próxima de sua casa ou faça o download através dos milhões de sites disponíveis na grande rede. prepare a pipoca, tire o guaraná do congelador, e boa diversão!
A Felicidade Não Se Compra (it's a wonderful life, 1946. dirigido por frank capra. com james stewart, donna reed, lionel barrymore)

Apocalypto (apocalypto, 2006. dirigo por mel gibson. com rudy youngblood, dalia hernandez, jonathan brewer)

jaguar paw é um cidadão que leva uma vida tranquila, durante o império maia, até ser capturado pelo exército para sacrificar sua vida em oferenda à prosperidade de seu povo. o personagem se transformou em um dos meus "heróis" favoritos, e passa o filme inteiro lutando por sobrevivência. IMDB - 7.9 - trailler
Central do Brasil (central do brasil, 1998. dirigido por walter salles. com fernanda montenegro, vinícius de oliveira, marília pêra)

uma mulher que escreve cartas para analfabetos ajuda um menino a encontrar seu pai, e junto com a emoção daqueles dois a gente é levado pra dentro do coração do brasil. a cena final é uma das mais lindas que pude assistir, e sua trilha sonora é inesquecível. IMDB - 8.0 - trailler
Dançando no Escuro (dancer in the dark, 2000. dirigido por lars von trier. com bjork, catherine deneuve, david morse)

selma está ficando cega graças a um problema hereditário, e após guardar dinheiro para realizar a cirurgia de seu filho, tem sua economia roubada pelo melhor amigo. a história é triste e crua. mas a trilha sonora é linda, e a atuação de bjork impressionante. IMDB - 7.8 - trailler
Donnie Darko (donnie darko, 2001. dirigido por richard kelly. com jake gyllenhaal, maggie gyllenhaal, holmes osbornen, drew barrymore)

o filme de estréia de richard kelly conseguiu propaganda boca a boca, apesar de seu orçamento irrisório, e se tornou num cult do cinema moderno. o final é surpreendente. IMDB - 8.3 - trailler
Ed Wood (ed wood, 1994. dirigido por tim burton. com johnny depp, martin landau, sarah jessica parker, patricia arquette)

convivendo com atores de quinta categoria e alguns pedaços de gravações de um bela lugosi já em fim de carreira (interpretado brilhantemente por martin landau), ed wood realiza feitos incríveis como plan 9 from outer space (eleito o pior filme da história do cinema) e glen or glenda? (autobiográfico sobre seus desejos de se vestir de mulher). IMDB - 8.1 - trailler
Magnólia (magnolia, 1999. dirigido por paul thomas anderson. com tom cruise, julianne moore, william h. macy, philip seymour hoffman)

a princípio seria muito chato assistir a esse dramalhão com quase três horas de duração e um final aparentemente tão absurdo. mas a julgar como o melhor filme de um dos melhores diretores de hollywood... magnólia não pode passar em branco. coisas acontecerão.
ah! esse é um filme extremamente pessoal e um dos meus favoritos da lista. IMDB - 8.0 - trailler
O Fabuloso Destino de Amelie Poulain (le fabuleux destin d'amélie poulain, 2001. dirigido por jean-pierre jeunet. com audrey tautou, mathieu kassovitz)

Um Sonho de Liberdade (the shawshank redemption, 1994. dirigo por frank darabont. com tim robbins, morgan freeman)

12 Homens e Uma Sentença (12 angry men, 1957. dirigido por sidney lumet. com henry fonda, martin balsam)

estranho mundo - parte dois
Postado por
Rodrigo da Silva
|
9 de ago. de 2009
perdeu alguma coisa? parte um
no exato instante em que o barulho do despertador acordava patrick para aquele que seria o dia mais importante de sua vida, há algumas quadras daquele lugar uma garota chamada eleanor, que dormia sobre uma escrivaninha amparada sobre as páginas de 'admirável mundo novo', recebia as lambidas de ringo, um gato da raça chartreux, anunciando que um novo dia estava a caminho. eleanor era uma menina franzina, com o cabelo na altura dos ombros e um olhar perdido e solitário. ao acordar com aquela sensação gelada lambendo o seu queixo, pode ainda contar alguns segundos antes que seu rádio relógio explodisse ecoando 'good morning, good morning', dos beatles, pelo quarto inteiro.

eleanor é uma menina solitária. dessas que andam sozinhas pelas ruas abraçadas a livros escritos por gente que já morreu há muito tempo. seus pais são separados e ela é criada pela avó. não tem amigos. conversa pouco. às vezes passa dias inteiros sem trocar uma palavra com ninguém. ringo é seu único companheiro, um gato discreto com um sorriso encantador. eleanor o havia encontrado tempos atrás em frente a uma loja de discos no centro da cidade. ringo parecia esperar por ela. a menina saiu da loja agarrada a 'yellow submarine' em uma das mãos e o gato a seguiu até o caminho de casa.
a noite anterior havia sido preenchida pela leitura daquele livro que falava de um mundo novo, que já não era tão novo assim. aldous huxley era uma das figuras que estampavam a capa de 'sgt. pepper's lonely hearts club band', e só esse feito já seria necessário para que eleanor se interessasse por toda sua obra. ao acordar naquela manhã, ainda contando os segundos para mais uma explosão de seu despertador, eleanor pode perceber que o gato lhe chamava a atenção para um calendário a poucos centímetros do seu nariz. aquele era dia dez de abril. fatídico dia que os quatro rapazes de liverpool decidiram ir cada um pro seu canto, há alguns anos atrás. e dia do seu aniversário.
eleanor fechou os olhos por alguns instantes tentando absorver aquela informação. estava completando dezessete anos de idade. nos últimos anos, para comemorar sua avó fazia um bolo de cenoura e comprava uma coca cola dois litros. naquele dia, ninguém lhe telefonava. não havia 'parabéns pra você'. não havia presentes. sua avó sentava num canto da mesa, e enquanto mordia aquele bolo sem gosto de nada com sua dentadura, assistia a um desses programas do mundo das celebridades que passam na televisão. o aniversário acabava e a coca cola ainda estava pela metade.
o despertador tocou e eleanor saltou da cadeira com uma estranha sensação de que aquele dia seria diferente dos demais. se abraçou a ringo agradecendo a lembrança do aniversário, que tratou de ronronar fechando os olhos, e arrumou sua mochila a tempo de ir à escola. eleanor estava feliz. pedalava a todo vapor pelas ruas da cidade cantando 'here comes the sun', com aquele pressentimento confuso de alegria. era uma menina de dezessete anos. quase uma mulher. ainda tinha dentro de si uma vontade absurda de fazer um monte de coisa. e aquele seria o primeiro dia do resto da sua vida. enfim, o sol viria.
de repente, já no portão da escola, pedalando e cantando completamente desligada do mundo ao seu redor, eleanor não pode perceber a presença daquele menino estranho que caminhava em passos largos bem à frente de sua bicicleta. numa fração de segundos, num daqueles momentos mágicos que ficam guardados na memória da gente até o dia da nossa morte, eleanor havia atropelado patrick e aqueles dois sujeitos desconhecidos estavam jogados no chão um sobre o outro. a menina, ao sentir a presença de patrick grudado ao seu corpo, ainda teve forças pra cantar bem baixinho no seu ouvido:
- here comes the sun, and i say it's all right!

eleanor fechou os olhos por alguns instantes tentando absorver aquela informação. estava completando dezessete anos de idade. nos últimos anos, para comemorar sua avó fazia um bolo de cenoura e comprava uma coca cola dois litros. naquele dia, ninguém lhe telefonava. não havia 'parabéns pra você'. não havia presentes. sua avó sentava num canto da mesa, e enquanto mordia aquele bolo sem gosto de nada com sua dentadura, assistia a um desses programas do mundo das celebridades que passam na televisão. o aniversário acabava e a coca cola ainda estava pela metade.
o despertador tocou e eleanor saltou da cadeira com uma estranha sensação de que aquele dia seria diferente dos demais. se abraçou a ringo agradecendo a lembrança do aniversário, que tratou de ronronar fechando os olhos, e arrumou sua mochila a tempo de ir à escola. eleanor estava feliz. pedalava a todo vapor pelas ruas da cidade cantando 'here comes the sun', com aquele pressentimento confuso de alegria. era uma menina de dezessete anos. quase uma mulher. ainda tinha dentro de si uma vontade absurda de fazer um monte de coisa. e aquele seria o primeiro dia do resto da sua vida. enfim, o sol viria.
de repente, já no portão da escola, pedalando e cantando completamente desligada do mundo ao seu redor, eleanor não pode perceber a presença daquele menino estranho que caminhava em passos largos bem à frente de sua bicicleta. numa fração de segundos, num daqueles momentos mágicos que ficam guardados na memória da gente até o dia da nossa morte, eleanor havia atropelado patrick e aqueles dois sujeitos desconhecidos estavam jogados no chão um sobre o outro. a menina, ao sentir a presença de patrick grudado ao seu corpo, ainda teve forças pra cantar bem baixinho no seu ouvido:
- here comes the sun, and i say it's all right!
insônia
Postado por
Rodrigo da Silva
|
6 de ago. de 2009
ainda adolescente ia dormir as cinco, seis horas da manhã, lendo e escrevendo adoidado como se o mundo fosse acabar. quando via um pingo de sol borrar o vidro da janela do meu quarto, eu me jogava pra debaixo das cobertas. tinha medo do sol. não gostava de imaginar que iria dormir sem a benção da madrugada. eu permanecia acordado com os olhinhos esbugalhados debaixo do cobertor, vendo que o sol nascia como um monstro gigante lá fora, e invadia o meu espaço com a sua luminosidade, colorindo de laranja o meu universo. eu praguejava contra aquilo. às vezes criava coragem e me levantava na direção da janela, ajustando a cortina contra o domínio daquela invasão inimiga. como um soldado medroso tornava a espiar o nascimento daquele fenômeno da natureza. eu era um voyer num front de guerra. e permanecia assim até que o sono batesse, quando finalmente voltaria para cama abraçado pelo calor do meu inimigo íntimo.
hoje eu não tenho mais medo do sol. e continuo dormindo tarde. trato a insônia com o mesmo carinho que trato a solidão.
estranho mundo - parte um
Postado por
Rodrigo da Silva
|
4 de ago. de 2009

ainda assustado com a força daquela voz taquara rachada, que ecoaria pelo seu tímpano até o caminho do colégio, patrick se levanta esticando o braço na direção de um óculos fundo de garrafa que adormecia sobre a cômoda, e caminha em passos lentos rumo ao banheiro xingando mentalmente aquela velha parada em frente a porta de seu quarto, com todos os palavrões que conhecia e que eram proibidos de serem ditos dentro daquela casa.
patrick era um menino de dezesseis anos. magrelo. com algumas espinhas pela cara. as canelas finas. aparelho nos dentes. o cabelo ruivo despenteado. um óculos que lhe tomava metade do rosto. e um ar de fragilidade e insegurança. ainda não havia sequer beijado nenhuma garota, embora fosse secretamente apaixonado por umas três ou quatro - dentre essas uma vizinha loira, que patrick espiava trocar de roupa da janela de seu quarto, enquanto se masturbava cheirando uma de suas calcinhas, roubada de seu varal numa tarde de domingo. embora atraísse gente esquisita pro seu lado, patrick não tinha muitos amigos. passava a maior parte do tempo lendo história em quadrinhos e sonhando acordado.
dentro do ônibus ficava admirando as construções dos prédios, enquanto era levado à escola, onde poderia estudar matemática e um dia, quem sabe, construir prédios tão grandes e luxuosos quanto aqueles do centro da cidade. patrick não gostava muito de cálculos e passava boa parte daquela aula admirando as curvas assimétricas de sua professora. na verdade, ele não se interessava por quase nenhuma daquelas matérias. eram todas tão chatas e pareciam ter tão pouca utilidade em sua vida, que patrick comumente confundia os catetos com os quadrados de qualquer hipotenusa que lhe surgisse pela frente, não sabendo se isso lhe dizia respeito a matemática ou qualquer outra matéria.
senão bastasse aqueles hormônios todos circulando em rota de colisão pelo seu corpo. e as meninas que faziam de conta que ele nunca existiu, embora andassem rebolando a meio metro de seus olhos. senão bastasse sua mãe lhe encomodando desde logo cedo. e todas aquelas matérias insuportáveis ao qual era obrigado a ouvir na escola. patrick agora estava naquela época de decisão. o tempo corria e ele deveria optar pelo quê fazer com sua vida. ainda criança sonhava em ser um monte de coisa - bombeiro, cientista, piloto de avião, médico, inventor, apresentador de tv. e agora, com quase dezessete anos e um mundo inteiro pela frente, patrick estava sem grandes opções e enquanto pensava a respeito, tratava de descer no ponto de ônibus em frente a escola, ainda com aquela voz taquara rachada martelando bem baixinho o seu ouvido. caminhando com a mochila nas costas, cercado por pontos de interrogação por todos os lados, patrick mal poderia imaginar que aquele seria o dia mais importante de sua vida.
história do mundo para sobreviventes
Postado por
Rodrigo da Silva
|

mais tarde, li os clássicos e os reli muitas vezes, pois queria descobrir o que era o homem e para o que servia. li homero, virgílio, as mil e uma noites, shakespeare, molière, gibbon, que falavam de deuses, heróis, reis e dos homens comuns. li toda a filosifa oriental e ocidental, e, quanto mais lia e escrevia, mais pesava a ignorância sobre os meus ombros. para minha tristeza, descobri que não poderia contar a história do mundo de uma só vez, talvez nem a história de um país, de uma cidade, de uma rua. teria de me contentar escrevendo romances, contos, crônicas, ensaios, teatro, poesia, reportagens, histórias para adultos que continuam crianças porque, quando crianças, se esforçaram demais para atingir a idade adulta. a empresa da história do mundo e do homem estava acima das minhas forças. continuei exercendo meu ofício sem, porém, jamais perder de vista o fato de que escrever bem pode ser importante, mas não é essencial. essencial é a sinceridade. pelo menos tentar ser sincero de todo coração. isso, por si só, já é um estilo.
- fausto wolff
- fausto wolff
Como ser um grande escritor
Postado por
Rodrigo da Silva
|
2 de ago. de 2009

mulheres bonitas
e escrever uns poemas de amor decentes.
não se preocupe com a idade
e/ou novos talentos.
apenas beba mais cerveja
mais e mais cerveja
e vá às corridas ao menos uma vez por
semana
e ganhe
se possível.
aprender a ganhar é difícil -
qualquer porcão pode ser um bom perdedor.
e não se esqueça de Brahms
e de Bach e de sua
birita.
não faça muito exercício.
durma até o meio dia.
evite cartões de crédito
ou pagar qualquer coisa no
dia.
lembre-se que não existe um cu
nesse mundo que vale mais de $50.
e se você tiver a capacidade de amar
primeiro ame a si mesmo
mas sempre tenha em mente a possibilidade de
derrota total
ainda que a razão dessa derrota
pareça certa ou errada -
um gostinho de morte cedo não é necessariamente
uma coisa ruim.
fique longe de igrejas e bares e museus,
como a aranha seja
paciente -
o tempo é a cruz de todo mundo,
mais
solidão
derrota
traição
toda essa sujeira.
fique com a cerveja.
cerveja é sangue contínuo.
um amor contínuo.
pegue uma boa máquina de escrever
e enquanto os passos vêm e vão além de sua janela
bata nela
bata nela com força
como se fosse uma luta de pesos pesados
faça como o touro em sua primeira investida
e lembre-se dos velhões
que lutaram tão bem:
Hemingway, Céline, Dostoiévski, Hamsun.
se você acha que eles não enlouqueceram
em quartos minúsculos
assim como você faz agora
sem mulheres
sem comida
sem esperança
você então não está pronto.
beba mais cerveja.
há tempo.
e se não houver
está tudo bem
também.
- buk
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