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a globalização e outras coisas criadas pela globo

| 13 de out. de 2009
acordo. são nove e meia da manhã. levanto e caminho na direção do banheiro. abro a portinhola acima da pia e puxo um tubo de colgate pra escovar os dentes. lavo o rosto. saio do banheiro e pego o jornal na varanda de casa. 'barack obama ganha prêmio nobel da paz'. sento no sofá, e enquanto preparo o café, aperto o botão do meu computador esperando que o sistema operacional da microsoft se inicie. acesso dáblio dáblio dáblio ponto google ponto com e pesquiso sobre as condições climáticas dos próximos três dias, na minha cidade ao sul do brazil. previsão de sol e calor. depois disso acesso dáblio dáblio dáblio ponto hotmail ponto com e vejo cinco emails novos, dois deles com uma propaganda para comprar, respectivamente, um livro sobre as técnicas de sedução desenvolvidas por um cientista norte americano e os produtos em liquidação da loja virtual do ebay. é domingo e o sol invade a janela da sala aquecendo as minhas costas. resolvo trocar de roupa para dar uma caminhada. coloco um conjunto esportivo da nike, com um tênis testado sobre as mais terríveis condições para aguentar o tranco das minhas longas passadas. vou pra rua.
na sexta feira eu havia tomado uns drinks a mais na festa open bar que fui em uma balada que reuniu dois dos melhores dj's do brazil. e não havia nada melhor do que uma caminhada saudável de domingo para recuperar aquela ressaca de sábado. e enquanto acelero o passo em frente a algumas lojas, que estarão abertas até o meio dia, vendendo todas aquelas coisas que a gente sonha em ter e que só o dinheiro pode comprar, penso comigo - 'que bela anta foi o karl marx'! se não fosse a luta de classes ainda estaríamos por aí desenhando e resmungando dentro de cavernas. enquanto os macacos estavam comendo bananas pelas selvas paleolíticas os homens estavam fechando o pau atrás de fogo. e foi preciso que esse quebra-quebra atravessasse os séculos para que os nossos ancestrais peludões conseguissem fazer suas barbas com gillette. e muitas cabeças rolaram para que o homem conseguisse fazer coisas simples, como andar de avião num desses boeings que atravessam o mundo, levar a família pra passear dentro de um carro de qualquer cor ('desde que seja preto') ou trepar de camisinha com jontex.
moro num bairro próximo ao centro da cidade e com um pouco mais de uma hora de caminhada consigo chegar ao principal shopping center da região. é quase meio dia e os restaurantes da praça de alimentação estão movimentados. todos aqueles big macs gordurosos, e aqueles sundays, e os copões de coca cola, e os menus coloridos escritos em inglês, abrem o meu apetite e acabam levando aquela corrida saudável de domingo a um banquete condenado à indigestão. na mesa ao lado vejo uma criança brincando com bonequinhos da disney ganhos na compra de um lanche em algum restaurante fast food. ela aparenta ter um pouco mais de doze anos e está acima do peso. o rapaz que acompanha o menino é mais velho e usa uma camisa dos lakers com o nome de kobe bryant estampado nas costas. enquanto morde um pedaço de picles que insiste em sair de seu sanduíche, escuta música num mp3 player com um fone de ouvido, e ainda que eu esteja na mesa ao lado, consigo ouvir a batida frenética feita por um desses rappers que fazem a cabeça de meninos da classe média baixa do brazil que sonham em ser como os rapazes da periferia norte americana.
somos escravos. não conseguimos sequer olhar pra lua sem que uma bandeira azul e vermelha esteja fincada nas nossas direções. os estados unidos invadem a casa de bilhões de pessoas todos os dias com os seus filmes, e as suas músicas, e os seus seriados de televisão, e os seus produtos tecnológicos, e os seus padrões de beleza, e os seus reality shows, e os seus best sellers, e os seus websites, e transformam grande parte da população mundial em escravos da sua barbárie. estamos condenados a trabalhar em prol do american way of life até que, através do jeitinho brazileiro, nossos políticos roubem os nossos útimos trocados e nos matem de desgosto a cada vez que uma propaganda passar na televisão e nos sentirmos mais pobres do que já somos.

*idéia original postada nesse mesmo blog em jun/09 e desenvolvida para a minha coluna de domingo (11/10) no blog bixo de se7e cabeças.
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yes! we créu!

| 6 de out. de 2009
na última sexta feira a cidade do rio de janeiro foi escolhida para ser sede das olimpíadas de 2016, e desde então vejo parte da população brasileira questionando a real importância do evento para o país. vejo muita gente dizendo que o nosso político é corrupto por natureza, e falando a respeito da quantidade de dinheiro que será desviado dos cofres públicos para a realização do sonho olímpico. existe uma postura clara daqueles que vão à praia de copacabana para comemorar a perspectiva de uma mudança, de uma nova chance para que o brasil se mostre um país civilizado e honesto; e das pessoas que simplesmente reclamam sem muita responsabilidade para tentar provocar a mudança que tanto sonham.
não sou a favor da maneira como a política é conduzida no brasil. muito pelo contrário. desde que a coroa portuguesa chegou ao nosso país que uma escola não é levantada sem que parte do dinheiro público não vá parar na conta bancária de um político qualquer. mas o que o povo brasileiro fez durante esses mais de quinhentos anos para tentar mudar alguma coisa? o político representa a imagem da população que o elege.
uma expressão que ouvi muito durante esses dias foi sobre a política do 'pão e circo', que se transformou num clichês esquerdista e burro - visto que a política circense da américa latina nunca tinha sequer sediado uma olimpíada. o esporte é um dos canais mais eficientes para fazer com que o mais pobre se aproxime do mais rico, e para aumentar a auto estima do seu povo (nelson rodrigues na década de cinquenta dizia que o brasileiro tinha 'complexo de vira-lata'). a final do superbowl é o evento anual mais assistido da televisão norte americana há décadas, apesar de estarem vivendo a maior crise econômica de sua história. a alemanha parou para receber e festejar a última copa do mundo de futebol, apesar da estagnação financeira e do desemprego dos últimos anos. e as olimpíadas, em especial, provou o quanto pode ser importante para uma mudança de postura social e de infraestrutura nas cidades que a sediam.
a espanha sempre foi tida como um dos países mais corruptos do velho continente, uma curiosa herança carregada entre os povos latinos, da velha roma que inventou esse chavão da política do 'pão e circo'. apesar disso barcelona se transformou numa das cidades mais modernas do mundo desde as olimpíadas de 92. a propaganda que o governo vende diz que a infraestrutura do rio de janeiro será melhorada consideravelmente, numa ação financeira que moverá mais de 25 bilhões de reais. e isso tudo será supervisionado pelo resto do mundo e pelos órgãos e comitês que controlam o esporte. essa aldeia global preparada para fiscalizar a realização do sonho olímpico, nunca havia ocorrido anteriormente para um projeto que alterasse a infraestrutura de uma grande cidade brasileira. o próprio panamericano teve uma verba irrisória comparada com o dinheiro que será investido em 2016. e dessa vez seremos supervisionados.
as olimpíadas de 2016 trarão uma revolução para o esporte nacional. antes de encerrar as transmissões num canal de televisão vi o tenista gustaven kuerten (aquele simpático manézinho da ilha que conquistou o mundo através do esporte e que hoje mantém uma instuição de apoio à crianças carentes) falar a respeito:
- fico imaginando a quantidade de crianças que essa hora estarão ingressando em clubes, sonhando em participar das olímpiadas no brasil. e na quantidade de empresas que irão investir na melhoria da nossa representação em cada modalidade. o esporte nacional ganhou uma nova chance.
é a hora da gente tentar mudar alguma coisa, ou continuar reclamando em frente aos nossos computadores deixando tudo como está. de qualquer forma - parabéns rio! yes! we créu!

*postado originalmente na minha coluna de domingo (04/10) no blog bixo de se7e cabeças.
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tempestade

| 8 de set. de 2009
ontem pela madrugada um milhão de raios desabaram sobre o estado de santa catarina. um deles, uma ingrata força da natureza formada por essas moléculas que a gente tanto escuta falar nas aulas de química, atingiu em cheio um poste bem em frente ao prédio aonde moro, cortando a distribuição de energia no bairro inteiro. e assim, como se estivessemos novamente em séculos passados, vivendo longe das tecnologias e das luminárias incandescentes, eu peguei no sono. dez horas depois, ao acordar, apertei a tomada do meu quarto e, ao ouvir o clap daquele botão amarelo, vi que a lâmpada insistia em não respeitar o meu sinal. me senti impotente. sem luz. sem telefone. sem internet. sem fogão. sem chuveiro. sem eira nem beira. e assim permaneceu por mais um longo tempo, até que duas almas caridosas, dessas vestidas de macacão azul, crachá pendendo do lado esquerdo do peito, capacete amarelo pesando sobre a cabeça, pudessem encostar o caminhão da companhia de eletricidade ao lado do pobre poste machucado. como dois cirurgiões eles devolveram a normalidade às nossas vidas, iluminando as nossas casas com o frescor da modernidade.
o primeiro barulho que ouvi foi do microondas. como num estalo o meu cérebro associou que aquele barulhinho indicava que pedacinhos de eletricidade corriam pelos fios do apartamento até atingirem lentamente aquela máquina de aquecer comida. e através do som daquele pi, que soava como uma tecla de um piano de beethoven, ou como se estivesse saindo de uma flauta de bach, sussurrando aos nossos ouvidos indicando que a energia havia voltado, pude finalmente sair daquela apreensão toda, aprisionada dentro de horas entediantes que não passavam. foram segundos de extrema felicidade aqueles em que a velocidade da luz parecia acender o microondas em câmera lenta.
eu liguei o meu computador e os portais de notícia falavam a respeito de uma noite desagradável no estado de santa catarina. cidades decretando situação de emergência. mortes. ventos com mais de cento e vinte quilômetros por hora. casas destelhadas. árvores derrubadas. pessoas sendo levadas pelo vento. pessoas feridas. tornados. caos. eu era só mais um dentro de um estado prestes a explodir a qualquer instante. e apesar de tudo, aquilo que eu havia perdido, já havia ganho de volta. energia.
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cena de um filme que nada acontece

| 29 de ago. de 2009
são quatro horas da madrugada. em uma cidade da américa latina, numa travessa qualquer, um gato cinzento lambe um prato de comida abandonado na boca de um lixo. é uma dessas noites perfumadas de estrelas e um letreiro digital cercado por mosquitos acusa a temperatura de dezesseis graus. a umidade relativa do ar está em sessenta e três por cento. e enquanto um carro em alta velocidade atravessa o semáforo vermelho atropelando uma poça d'água, dois mendigos dividem o último gole de uma cachaça vagabunda, e dormem abraçados em frente a fachada de um banco. a poucos metros um cachorro vira lata atravessa a rua, e observa à distância quatro lâmpadas coloridas serem apagadas em um bordel, indicando que o último cliente já havia ido embora. um vigia noturno dorme abraçado sobre um balcão de informações, ao lado de um rádio relógio ligado num programa de notícias sem ninguém pra ouvir. são quatro horas da madrugada. é cedo demais pra quem está acordando. e tarde demais pra quem está indo dormir.
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MEMÓRIAS DE INFÂNCIA

| 28 de jul. de 2009
quase todos os anos, durante as férias escolares, meu pai levava eu e a mãe pra passar uns dias em tubarão, uma cidadezinha ao sul de santa catarina, aonde ainda mora praticamente toda a família da minha mãe. durante a viagem ele parava num posto de gasolina qualquer e comprava uma coxinha e uma coca cola pra gente, e a viagem parecia não ter a menor graça se aquilo não acontecesse. se eu fechar os olhos ainda consigo me lembrar do gosto daquele frango morto, desfiado, dançando dentro da minha boca, e de como o cheiro da coca cola me deixava enjoado. a gente chegava em tubarão e eu me impressionava com o tamanho do rio que corta a cidade. meu pai sempre contava a história da enchente de setenta e quatro, e de como o rio havia desabrigado mais de noventa por cento da população naquela época. e de como aquilo havia afetado a família da minha mãe.
o meu avô ficava sentado numa cadeira de balanço, esperando a gente na varanda de casa. e quando o nosso carro chegava ele sempre apertava o botãozinho do controle pra abrir o portão eletrônico, e saudava a gente perguntando como havia sido a viagem. o pai sempre dizia que havia sido tranquila, e que tinha pouco movimento na estrada. e então a minha avó aparecia com aquele ar frágil de velha adoecida e cumprimentava a gente com um beijo sereno no rosto.
eu me sentia livre em tubarão. livre porque eu podia pegar a bicicleta da minha prima e correr por toda cidade. eu adorava aquela sensação do vento batendo na cara quando descia a ruazinha da catedral. e eu adorava ainda mais o barro que ficava na sola do pé quando ia jogar bola com o pessoal da redondeza. às vezes a gente reunia os primos no quarto da vó, fechava a porta, desligava as luzes, e brincava de gato mia, que era uma espécie de esconde-esconde no escuro. a gente se divertia à beça naquele tempo!
a cidade continua no seu mesmo lugar. de pé. com as suas ruas pequenas, e os seus carros velhos, e as suas meninas atraentes. pouca coisa mudou desde então. eu ainda me lembro do dia em que fui ao estádio assistir a um jogo de futebol ao lado do meu avô. e de como ele ouvia ao jogo num radinho de pilha, como um daqueles velhos torcedores. eu ainda me lembro de quando uma menina, dessas com seus dez ou onze anos, pediu a minha mão em namoro pra minha mãe, e de como eu fiquei envergonhado naquele dia, porque afinal eu ainda nunca havia beijado ninguém, e porque as mulheres.. bem, você sabe! as mulheres sempre foram o meu ponto fraco. e eu ainda me lembro dos trotes, e das piadas, e dos campeonatos de video game, e das brincadeiras, e dos pés de jabuticaba, e de como era bom estar com aquelas pessoas naquela cidade. tubarão continua intacta na minha memória. pra sempre. como um oasis da minha infância.
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obrigado são paulo

| 15 de jul. de 2009
obrigado são paulo. obrigado por ter me tornado homem. um dia eu sonhei com você. eu ainda era um menino nesse tempo. e nesse dia eu sonhava que estava parado num canto. sozinho. e tinha muito medo porque não conhecia ninguém. parado no meio daquela multidão. e você estava me esperando. você sempre esteve me esperando. eu olhei pra você e disse que a gente ainda ia ser felizes juntos. e você sorriu pra mim. obrigado por fazer eu sonhar tanto sobre todas essas coisas que só você seria capaz de me dar e que eu não pude conquistar. e obrigado por ter tirado de mim as coisas que eu tinha antes de te conhecer. obrigado são paulo. porque você acabou com a minha reputação e fez com que eu deixasse de acreditar em tudo aquilo que eu acreditava. porque você me roubou. e porque você fede. e mesmo você sendo essa ladra filha da puta que não vale nada, ainda assim eu amo você. obrigado são paulo. por ter feito eu conhecer algumas poucas pessoas que me fizeram bem. elas tentaram mudar essa visão amarga que eu adiquiri com o tempo das coisas e das pessoas. e obrigado também por fazer com que eu desista delas. obrigado são paulo. por ter me apresentado tanta gente malvada. por todas essas pessoas que atravancaram o meu caminho. que me disseram aquelas coisas todas que você pode ouvir tão de perto. e que estarão rindo do meu fracasso, assim que eu voltar e pegar as minhas coisas de volta. obrigado são paulo. porque você me tornou um cidadão do mundo com todo esse seu ar cosmopolita. e porque você me mostrou que o mundo é um lugar triste e sem esperança. obrigado são paulo.
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blumenau

| 1 de jul. de 2009
sim ou não. tanto faz. as minhas perguntas continuam sem respostas. eu ando pelas ruas de blumenau, e vejo gente loira de olho azul andando por todos os cantos. e às vezes, principalmente em fins de tarde como os de hoje, cheio de nuvenzinhas pretas no céu, eu me sinto como se estivesse em algum lugar longínquo ao sul da baviera. talvez, se eu tivesse nascido com os olhos azuis o rumo da minha vida fosse outra.
ontem fui à aula de antropologia e dinâmica de grupo, ministradas pelo meu irmão. e em alguns momentos, principalmente naqueles em que os alunos levantavam as suas mãos e faziam perguntas a respeito de um monte de coisa, a vontade que eu tinha era a de levantar a minha também, e vomitar esses pontos de interrogação que machucam o meu estômago em noites de sono.
meu irmão disse que eu preciso de psicoterapia. talvez eu precise mesmo.

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a parada gay e outros clichês de multidão

| 15 de jun. de 2009
os gays invadiram as ruas de são paulo no último domingo com suas roupas coloridas e suas maneiras divertidas de encarar o mundo. três milhões e meio de pessoas circularam pelos arredores da avenida paulista levantando bandeiras do orgulho gay, com muita música eletrônica, beijos cinematográficos, erotismo e esteriótipos caricatos desfilando seminus em trio elétricos.
a festa da diversidade organizada pela maior parada glbt do mundo é o segundo evento que mais atrai turistas à cidade de são paulo - só esse ano foram mais de quatrocentos mil - e movimenta aproximadamente cento e oitenta e nove milhões de reais à economia paulistana. é o evento mais lucrativo feito na cidade e conta com o apoio da prefeitura municipal.
cerca de mil oficias das polícias civil e militar foram chamados para cobrir a segurança do evento. cinquenta e oito pessoas sairam feridas por conta de agressões de grupos de intolerância - vinte e duas delas na explosão de uma bomba caseira no largo do arouche. o caso mais grave de violência ocorreu por um homem de trinta e cinco anos que sofreu traumatismo craniano, após ser violentamente espancado por um grupo homofóbico. nas proximidades do masp cinco pessoas se envolveram em uma briga. três delas foram esfaqueadas e levadas à santa casa. oitenta e nove boletins de ocorrências foram registrados, a maioria por conta de furtos de celulares, carteiras e câmeras digitais.
com duas horas de evento haviam sido registradas vinte e cinco ocorrências médicas. em menos de quatro horas haviam sessenta. a maioria por jovens com ingestão alcoólica. trezentos e cinquenta homens da guarda civil metropolitana foram escalados para apreender as bebidas batizadas vendidas por ambulantes. as garrafas recolhidas encheram quatro caçambas. a bebida mais vendida pelos camelôs é uma garrafa plástica de vinho, da marca cantina do vale, vendida por cinco ou seis reais, dependendo do humor do vendedor.
a parada gay levou muitos foliões às ruas carregando placas pedindo beijos e amassos e jurando amor eterno. o clima era de sodomia, apesar dos treze graus que caia sobre a cidade. ninguém era de ninguém. homens de mãos dadas com outros homens beijando todas as mulheres que aparecessem pela frente. lésbicas trocando amassos com meninas, enquanto seus namorados acompanhavam em casa partidas de futebol pela televisão. senhoras com netinhas no colo, defensoras da liberdade sexual e de expressão, tirando fotos com travestis.
no último domingo, pelas ruas da cidade de são paulo, não era possível definir um ser humano simplesmente como homem e mulher.
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4º Jornalirismo Debate: Jornalismo Literário

| 19 de mai. de 2009
O Jornalismo Literário será tema de um debate promovido pelo Jornalirismo , em parceria com o Senac SP, na próxima terça-feira (26/05).
O "4º Jornalirismo Debate: Jornalismo Literário", contará com as presenças de Pedro Bial (repórter e apresentador da Rede Globo de Televisão), Eliane Brum (repórter especial da revista Época, vencedora dos prêmios Esso e Vladimir Herzog), Daniel Piza (editor-executivo e colunista de cultura do jornal O Estado de S.Paulo), Sérgio Vilas Boas (repórter e professor universitário, vinculado à Academia Brasileira de Jornalismo Literário) e Allan da Rosa (poeta e dramaturgo, organizador do selo Edições Toró - Movimento de Literatura Periférica e Comunicação Independente).
O evento ocorrerá no Senac Lapa Scipião (Rua Scipião, 67, Lapa, Zona Oeste da capital paulista), das 19h às 22h30. O Senac aproveitará a ocasião para lançar o Curso de Jornalismo Literário.
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FLIP 09

| 12 de mai. de 2009
gay talese, um dos expoentes do new journalism, virá ao brasil participar da "festa literária internacional de paraty" (flip), que ocorrerá entre os dias 1º e 5 de julho, no litoral sul fluminense. esse senhor de 77 anos (foto), que nasceu na américa embalada pelo jazz e pelo blues, filho de imigrantes italianos, revolucionou o jornalismo ao misturar notícia com literatura e, pessoalmente, é uma das minhas maiores referências. talese aproveitará a ocasião para lançar "vida de escritor", publicado pela companhia das letras.
a FLIP 09, que homenageará manuel bandeira, contará ainda com as presenças dos brasileiros chico buarque de hollanda, milton hatoum e cristovão tezza, do português antónio lobo antunes (vencedor do prêmio camões 2007), da irlandesa anne enright (vencedora dos prêmio man booker prize e irish novel of the year) e do afegão atiq rahimi (vencedor do goncourt 2008, prêmio referência da língua francesa).
acompanhe a programação da FLIP 09 clicando aqui.
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Vândalos

| 4 de mai. de 2009
as ruas de são paulo foram tomadas por bárbaros. eu os vejo andando de um lado pro outro com seus cabelos coloridos, suas roupas largas, seus piercings, suas tatuagens. os bárbaros caminham pelas ruas e criam poças de urina pelas calçadas e defecam e vomitam e quebram as placas de sinalização e brigam. eu vejo bárbaros que passam as mãos nas mulheres e cospem sobre as comidas e pulam uns sobre os outros. e apesar de reunirem tantos clichês e serem tão parecidos, esses escrotos acreditam ser alternativos. punks. skinheads. góticos. emos. mcs. gays. mauricinhos. estou cansado dessa gente estranha e suas músicas de merda.
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Do Brega ao Rock

| 2 de mai. de 2009
O final de semana será de Virada Cultural em São Paulo. Mais de 800 atrações se apresentarão pelos 150 palcos espalhados pela cidade. Durante as 24 horas de programação será esperado um público de 4 milhões de pessoas. Inspirada pela 'Nuit Blanche', que ocorre anualmente em Paris, a Virada Cultural foi criada em 2005 pela Prefeitura de São Paulo e funciona como uma verdadeira maratona cultural que mobiliza toda cidade. Atrações musicais - do brega ao rock -, espetáculos de teatro, dança e circo invadem as ruas da capital paulista e aproximam o público das mais distintas manifestações de arte.
A programação da Virada Cultural você encontra clicando aqui.
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São Paulo 3x4

| 26 de abr. de 2009
São Paulo é a maior cidade do Hemisfério Sul. 10.990.249 pessoas vivem em mais de 3.039.104 residências, espalhadas pelos 2.000 bairros de toda cidade. 11% dessa população vive em favelas. 5% não sabe ler nem escrever. 12% não tem acesso à rede de esgoto. 10.394 são moradores de rua. E 1 milhão vive abaixo da linha de pobreza. Apesar disso, a capital paulista é a 19ª cidade mais rica do mundo e a 25ª mais cara. 60% de todos os milionários do país residem em São Paulo. A cidade representa 12,26% de todo PIB do Brasil.
A capital paulista possui 6 milhões de automóveis que circulam os 15.600 km de ruas e atravessam os 5.500 cruzamentos com semáforo todos os dias da semana. Tem a terceira maior frota de táxis da América Latina - são mais de 30 mil. E a segunda maior frota de helicópteros, com 210 helipontos espalhados pela cidade. 66 mil pessoas passam diariamente pela Rodoviária do Tietê, a maior da América Latina. O metrô de São Paulo transporta 3 milhões de pessoas todos os dias, com 117 trens em mais de 62 km de extensão nas 4 linhas do sistema. Os 110 trens disponíveis pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) realizam 1.688 viagens por dia, nas seis linhas do sistema, atendendo 22 municípios da região metropolitana. São 15.000 ônibus circulando pelas 984 linhas da cidade. A linha de ônibus mais longa é a 3310, saindo do Terminal Amaral Gurgel até Cidade Tiradentes; percorrendo 103 km.
Há 125.000 ruas na região metropolitana de São Paulo. 4.408 praças. 400 monumentos em vias públicas. 205 hospitais, dentre os quais o Hospital Albert Einstein, o mais avançado de nosso continente. São 530 mil postes de iluminação. 1500 agências de bancos nacionais e internacionais. 104 mil orelhões.
A cidade de São Paulo possui 240 mil estabelecimentos comerciais. São 12.500 restaurantes e 15.000 bares. 70 shopping centers que recebem 30 milhões de pessoas por mês. 50 mil salões de beleza. 5.000 pizzarias que produzem 1 milhão de pizzas por dia. As padarias de São Paulo produzem 7.200 pães por minuto. A Rua Vinte e Cinco de Março, maior comércio popular da América Latina, recebe meio milhão de pessoas todos os dias. O Bairro Bom Retiro produz 55% de toda moda feminina nacional. E o Mercado Municipal movimenta 350 toneladas de alimentos por dia. A cada segundo são realizadas 10 compras através de cartão de crédito e débito na cidade de São Paulo.
A Rua Oscar Freire está entre as 8 mais luxuosas do mundo, e atende os 30.000 milionários que residem em São Paulo. No bairro do Itaim existe uma oficina especializada somente em Ferraris. A cidade é a maior realizadora de eventos da América Latina, e a 18ª do mundo, com 70 mil eventos realizados por ano. Existem 120 Teatros e Casas de Show, 208 cinemas, 71 museus e 39 centros culturais em São Paulo. São 100 peças produzidas por semana na capital paulista; 4.800 por ano. A Pinacoteca do Estado abriga 4.000 obras de artistas nacionais. E o Museu do Ipiranga reúne mais de 125 mil objetos desde a época imperial. São Paulo é responsável por 28% da produção científica nacional e registra anualmente 230 mil matrículas de alunos em Universidades. São 2.725 estabelecimentos de Ensino Fundamental. 2.998 de unidades pré-escolares. 1.199 escolas de Ensino Médio. E 146 instituições de Ensino Superior. 68,11% dos paulistanos são católicos. 15,94% são evangélicos. 2,75% são espíritas. 0,65% são budistas. 0,36% são judeus. E 8,97% não possuem religião.
São Paulo é uma cidade formada por nordestinos, italianos, japoneses, coreanos, espanhóis, libaneses e portugueses. A maior parte do fluxo migratório vem de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Bahia e norte de Minas Gerais. 68% dos paulistanos são brancos, 25% são pardos, 5,1% são negros, 2% são amarelos e 0,2% são indígenas.
São Paulo é uma cidade de opções. De pessoas que andam apressadas pelas ruas. De indigestos que tomam banho de sol nas praças públicas. De crianças desdentadas e mães gordas que se equilibram no vai-e-vem dos ônibus. De feirantes, cobradores, motoqueiros, compradores de ouro, garçons, putas, marginais e poetas. O centro velho de São Paulo e as regiões das marginais fedem o cheiro acre dos rios, do suor dos camelôs, dos banheiros públicos, da comida estragada, das construções abandonadas. São Paulo é uma cidade de desconhecidos, de corações solitários na multidão, de gente com cara rachada que anda de sombrinha debaixo do sol.