0

vida de repórter

| 29 de jun. de 2009
"O primeiro ano foi muito difícil em São Paulo. Eu me transformei num repórter sem sequer saber andar pelas ruas. Cada dia precisava descobrir por conta própria e erro. Morava em pensão, almoçava e mal jantava. Eu odiava chuva porque molhava o sapato, tinha que deixar no forno ou com jornais dentro para secar. Não tinha amigos, não conhecia ninguem. Tímido, introvertido, custava a me ligar a alguem. Mas eu nao queria voltar, voltar seria o fracasso, e eu tinha saido para vencer. Comecei a descobrir a noite, os encantos de ficar pelas ruas, entrar e sair de boates, conviver com os tipos, ver o sol nascer. Passado o primeiro ano estava fixado. Me tornei paulistano". - Ignacio de Loyola Brandão em entrevista a Edla van Steen.
0

eterno

| 26 de jun. de 2009
ainda estou perplexo com a morte daquele que foi o messias da minha educação musical. michael jackson foi o astro maior de sua geração. sua música e sua dança e seus videoclipes são um marco para a história do entretenimento e continuarão influenciando um batalhão de artistas pelos quatro cantos do mundo. seu talento é incomparável, insubstituível e único. michael mudou a cara da cultura pop do século vinte, e sua morte é a grande perda da década. o ícone, o rei do pop, o gênio, o astro maior, michael jackson foi embora, e o mundo sentirá muita falta dele.
descanse em paz.
0

(...)

| 25 de jun. de 2009
eu gostaria de poder encontrar algumas palavras bacanas para definir esse que talvez seja o momento mais importante da minha vida. mas acho que, muito provavelmente, nos próximos dias o meu blog permanecerá em silêncio. até porque amanhã eu volto pra casa. decisões serão tomadas. e eu terei uma semana inteira para definir uma simples questão - qual é o meu papel em frente ao universo?
só espero que o avião não caia no meio do caminho.
0

a globalização e outras coisas criadas pela globo!

| 24 de jun. de 2009
quando eu era pequeno sonhava em poder mudar o mundo. e embora ainda hoje mal consiga controlar o rumo da minha vida e das outras pessoas que estão ao meu redor, o sonho de poder encontrar um lugar mais justo, com homens e mulheres cuspindo felicidade ao abrir a boca, ainda permanece trancafiado dentro de mim.
apesar desse papinho utópico, parte daquele que deveria ser o meu lado ético e politicamente correto, acredita que o mundo seria um saco se não houvesse um pingo de tristeza nas pessoas. o amor, aclamado como o mais nobre dos sentimentos, sem essa felicidade triste ao qual se referia paulo de tarso há tanto tempo atrás, seria vago e sem graça. e por mais estranho que possa parecer, ainda consigo encontrar um sentido caso alguma guerrinha exploda bem longe do meu rabo, se isso for necessário para o desenvolvimento científico, tecnológico, politico e cultural de uma nação.
por essas e outras que nunca fui comunista. acho que ainda estaríamos por aí, desenhando e resmungando dentro de cavernas, se não fosse a velha luta de classes. não estou pintando um quadro com corpos mutilados num front de batalha, mas a competição é um processo natural para ocorrer a evolução humana. enquanto os macacos estavam comendo bananas pelas selvas paleolíticas, os homens estavam fechando o pau atrás de fogo. e foi preciso que esse quebra-quebra atravessasse os séculos para que os nossos ancestrais peludões conseguissem fazer a barba. e muitas cabeças rolaram para que o homem moderno conseguisse fazer coisas simples como andar de avião, acessar um email ou trepar de camisinha. livros. músicas. quadros. filmes. a opressão sempre foi um combustível para a cultura.
ao mesmo tempo, não acredito que os estados unidos da américa tenha se tornado a maior potência mundial simplesmente por seu poder de fogo. o domínio do império americano conquistou o mundo sem invasões bárbaras. ele está presente a cada vez que pingamos um açúcar dietético no nosso cafézinho, e quando escovamos os dentes com colgate. os americanos colorem os tubos de nossos televisores com seus filmes, e seus videoclipes, e suas séries de ficção científica, e nos telejornais em que vimos a presença de um presidente negro conquistar o sorriso de uma criança pobre. a cada vez que nos vestimos com sua moda, e compramos seus best sellers. a cada vez que acessarmos o google ou olharmos para a lua - lá estará fincado, tremulando, uma bandeira dos estados unidos da américa.
2

quem não se comunica, se trumbica!

| 23 de jun. de 2009
no tempo em que a caixinha de correio era uma ferramenta importante para a comunicação das pessoas em nosso país, o drummond dizia que "solitário era o homem que nunca havia recebido uma carta". hoje, quando eu abro a caixa de mensagens de meu email, sempre lotada, me bate uma tristeza danada porque só consigo visualizar uma tonelada de propagandas e spams e outras tantas coisas que, definitivamente, não irão alterar o rumo da minha vida. "pare de fumar, fumando", "aumente seu pênis", "ponha silicone e pague em 12x sem juros", além de um milhão de piadas, e mensagens de fé e esperança, e correntes e lendas cibernéticas, e fotos de mulheres peladas, e vírus, e muito lixo. acho, infelizmente, que essa situação aconteça com a grande maioria das pessoas (pelo menos por aquelas que não utilizam uma conta de email pago, com um anti-spam eficiente, como eu). o ser humano, no alto de seu vazio e no cume de sua falta de conteúdo, perdeu as razões de escrever e perguntar e responder e criar situações interpessoais. afinal de contas, é muito mais fácil fazer um protótipo, apertar ctrl c + ctrl v, e sair por aí distribuindo para quem quer que seja. e logo a amazônia se transforma em território da onu, e aparecem as fotos sem photoshop das últimas capas da playboy com milhares de celulite na bunda, e então códigos milagrosos geram milhões em crédito pra celular, e cientistas de uma faculdade norte americana qualquer dizem que ouviram e gravaram os gritos do inferno. pra piorar a situação uma tal de ana me manda em anexo algumas fotos que jura ter tirado comigo em um motel do sergipe no último sábado à noite, e uma certa rafaela me manda um cartão virtual dizendo que está com saudades, embora eu nunca tenha estado no sergipe e não conheça nenhuma rafaela.
nessa última semana o supremo tribunal federal decretou que o diploma de jornalismo não será mais obrigatório para exercer a função. e acho que essa marginalização da verdade e da matéria jornalística, vendida através de sites e blogs e twitters e em comunidades de orkut e facebook, em emails e em tantos outros canais disponíveis na grande rede, são responsáveis pela maior crise na história da comunicação, culminada com essa decisão de nossa justiça. você só precisa digitar uma palavra no google e pronto. um milhão de fontes aparecem. e os grandes portais, movidos com a publicidade de grandes empresas, ocupam as primeiras posições na pesquisa. se clicar em qualquer um deles, eu poderia apostar com você de que provavelmente aquela matéria tenha sido produzida dentro de uma sala bem refrigerada, com informações extraídas através de outros sites, e fotos de agências de notícias e, quem sabe, com entrevistas realizadas por telefone ou email. ainda poderia jurar que o responsável pela matéria, enquanto a publica, acompanha algumas imagens silenciosas da globo news em um televisor ao seu lado e namora com a máquina de café.
vivemos o tempo da trumbica.
0

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA

| 22 de jun. de 2009
é muito difícil falar do meu tio márcio e não lembrar do meu tio maurício. assim como é praticamente impossível escrever qualquer coisa sobre o meu tio maurício, e não ter o meu tio márcio presente em boa parte do texto. porque esses caras se completam. como uma boa dupla. a relação deles, de irmão que dividiam os mesmos beliches e contavam segredos um pro outro desde muito cedo, é uma relação que atinge os limites do verdadeiro amor e da amizade mais leal que possa existir.
o márcio impressiona pela perspicácia de alguém que, por exemplo, consegue somar a quantidade exata de pontos que possam haver em várias pedras de dominó jogadas pela mesa, apenas com um olhar. de alguém capaz de soltar frases, respostas, comentários e piadas de uma maneira tão única e inteligente, que registram sua marca e afloram o seu carisma. ele não foi formado na faculdade mais cara e mais concentuada do sul do brasil, mas quem se importa? seu conhecimento sobre as coisas mais bacanas da vida (e não estou falando apenas sobre mulheres, ok?) ultrapassam qualquer barreira acadêmica.
o maurício é o meu tio caçula. ainda criança queria limonada no almoço, e ganhou uma lição de moral do meu avô. tomou, sozinho, depois de tanto irritá-lo, uma jarra inteira. até hoje foge dos limões. apesar desse fato, carrega um coração do tamanho do mundo dentro dele. seja quando está tomando uma cerveja ou trocando uma conversa sobre qualquer coisa, seja fazendo o churrasco de domingo, levando a gente pra praia, seja até mesmo quando está vestido de papai noel no dia de natal, e faça a gente se emocionar com a pureza de seus filhos, o maurício é um apaixonado pela sua família. e a sua família é louca por ele.
esses dois são responsáveis por boa parte da minha educação e da minha construção como homem. reunidos na casa da minha avó, tomando cerveja nos sábados à noite, conversando sobre mulheres e sobre futebol e cinema, e sobre todos os assuntos que eles dominam tão bem, parecia que o tempo passava mais rápido perto deles. e se hoje o escudo do fluminense representa o brasão hereditário de nossa família, muito disso é culpa desses dois fanáticos tricolores, que quebram vasos pelo fluminense, que choram pelo fluminense, que carregam o fluminense no sobrenome.
eu poderia falar durante horas sobre como já nos divertimos juntos, e sobre como respeito esses dois e o quanto sinto saudade por hoje estarmos morando longe um do outro. eu carrego a melhor imagem possível do márcio e do maurício. a dupla imbátivel, feito batman e robin, não é mesmo?
(às vezes só fico em dúvida na hora de saber quem é o ativo e quem é o passívo!!)
1

das coisas que não existem

| 21 de jun. de 2009
há alguns meses atrás eu era um menino com data marcada para encarar um casamento, e as responsabilidades da construção de uma família, e todas essas coisas que fazem os meninos se tornarem homens. de repente, num desses momentos transformadores na vida de uma pessoa, tudo aquilo que eu acreditava, e que movia os meus dias e as minhas ações e os meus projetos, deixaram de existir. e eu descobri uma necessidade absurda de poder me sentir apaixonado novamente. de poder sair nas ruas atrás de pessoas interessantes que pudessem me manter vivo por mais tempo e que fizessem eu me sentir um pouco mais humano.
eu era um fantoche nas mãos do destino, e passava a maior parte do tempo olhando as meninas que andavam de um lado pro outro pelas ruas. pensando comigo quando iria surgir aquela que fosse mudar a ordem dos meus dias. eu via meninas de todos os tipos e todos os tamanhos, e ficava sonhando com cada uma delas pegando com ternura nas minhas mãos, e me levando pra conhecer o mundo. às vezes eu me pegava falando baixinho - "o que você quer? você quer a lua? basta dizer uma palavra e eu vou atirar um laço em torno dela e puxá-la para baixo". e então, apesar de uma carência absurda que poderia me levar a cometer grandes equívocos, eu descobri que a maioria das meninas que andavam pra lá e pra cá, e povoavam a minha imaginação, eram enfadonhas e tinham muita pouca coisa a acrescentar ao meu universo.
eu me sentia como se tivesse aquele pássaro do bukowski dentro de mim, e a única vontade que adquiri nesse tempo foi a de sair do brasil. eu imaginava a quantidade de pessoas que pudesse haver no mundo, cada uma vivendo dentro de seus universos paralelos, alternando momentos de felicidade com momentos de angústia, e a sensação de poder encontrar com alguém, em algum lugar desse planeta, que pudesse salvar o meu rabo das sandices desse mundo, era o que me mantinha de pé e o que me fazia sonhar nas noites de desencanto.
eu acho que muita gente já escreveu sobre muita coisa nessa vida. e o que eu mais gostaria de poder deixar registrado para a garota dos meus sonhos, embora eu não saiba se algum dia chegarei a conhece-la e se ela irá me aceitar da maneira que eu sou, é uma frase citada pela rachel de queiroz há algum tempo, e que traduz exatamente aquilo que eu gostaria de dizer:
- eu existi, eu sou, eu pensei, eu senti, e eu queria que você soubesse.